A morena batucou na mesa do computador, impaciente. O silêncio era a única coisa que ouvia, embora estivesse com a amiga no quarto; estranhamente, esta parecia estar sem vontade de fazer barulho e atormentar a outra. Não que ela se importasse; pelo contrário, aquela calmaria lhe fazia bem. Seus pensamentos fluíam livremente, tão livres que ela viu-se obrigada a chamar sua companheira.
— Cara, acho isso terrível. — disse, de repente. A loira apenas desviou os olhos da parede e a encarou, confusa. A morena continuou. — As pessoas não mais sentem, elas são mecânicas, saca? Em todo lugar tem um
'eu te amo'. Amar é algo sublime. Amar um amigo ou uma amiga, não é sempre que acontece, por exemplo.
— Concordo. — respondeu a outra, sorrindo levemente. Estranhamente, sua mente vagava em um assunto parecido há alguns minutos. — Eu, por exemplo, acho milhões de vezes mais difícil dizer
'eu te amo' olhando no rosto da pessoa. Não falo isso nem para os meus pais, porque me sinto vulnerável. Porque amar é simplesmente se expor ao outro.
— Isso que você falou é a mais pura verdade: "
se expor ao outro". Porque existe a diferença de expor setores seus — ela riu com a expressão. — para uma paixonite, mas o amor é a convivência e a ''química" entre as pessoas. Ou seja, o quão a pessoa está aberta para te amar.
— Pois é. O amor banalizou nessas últimas décadas, sabe?
— MUITO. Isso me deixa realmente triste. De verdade. — a morena soltou um suspiro, quase um bufo, indignada.
— A mim também, mas, sei lá, acho que há esperança para as gerações futuras. — seus olhos, porém não demonstravam aquilo. Embora fosse uma romântica incurável, a garota não mais acreditava no ressurgimento do cavalheirismo. A não ser, é claro, que, de acordo com uma de suas estranhas teorias, a tecnologia atingisse um nível crítico e tivéssemos todos de retornar à época e costumes medievais.
— Talvez. O pior é pensar que metade das pessoas do mundo nunca amou ninguém.
— Metade é otimismo. – zombou a outra.
— É, ok, menos da metade. — ela revirou os olhos, mas outra linha de pensamento lhe atingiu. — Chega a dar repulsa. As pessoas ficam com um guri, dizem que o amam, choram um tiquinho e na semana seguinte estão divididas entre o "peixeiro" e o "padeiro". O que é ruim, porque quando o verdadeiro amor é descoberto, sua vida muda completamente, você entende coisas que antes não entendia, aceita o outro como é, há respeito, há carinho... há amor.
As duas ficaram em silêncio, absorvendo o que cada uma dissera. A loira quem recomeçou.
— Eu ouvi uma frase, não me lembro onde, "
quem ama não vê defeitos, quem odeia não vê qualidades". É basicamente isso; um rosto feio passa a ser o mais bonito, uma voz irritante passa a ser a mais doce melodia. Mas se você vê só o de fora, como pode julgar alguém? Como amar uma pessoa sem conhecer o interior? Sem saber, por exemplo: qual a cor favorita dela? Qual o humor dela hoje? Quais as influências dela? Para onde ela vai quando quer fugir? O que a faz feliz, o que a faz chorar?
— EXATAMENTE!
— São coisas simples, sabe? Mas, quando alguém lembra, é emocionante e sentir que a pessoa te leva a sério a ponto de lembrar desses detalhes... É um afeto tão grande que se sente, imagine quando em condição de amor?
— Nossa, é o mundo. É bem aquela coisa: "
O mundo está no outro." E sabe o que é pior?
As pessoas falam muito em ficar, em pápápá, porque se contentam com o raso, com o pouco, com aquilo que não é verdadeiro. E criticam aqueles que sabem que não é bem por aí.
— Exato.
— Eu posso estar errada, mas... Paquerar, tudo bem, é uma coisa. Mas insistir em algo bizarro (
ficando com alguém que não vai com sua cara e só olha pro seu traseiro) é bater na mesma tecla à toa.
— Mas é isso mesmo! As pessoas são criadas sem base alguma de relacionamento e amor. Elas não se importam com as preliminares, não se importam com o conhecimento interior antes do físico, não se importam com o significado que um primeiro beijo tem depois de meses de expectativa e a certeza de que há alguma coisa especial naquela pessoa. Quase todos preferem ficar com qualquer um, a ficar sozinho e esperar.
— É algo mecânico, né? É algo tão... sem sentido. O mundo está uma bizarrice. Não adianta falar com as pessoas, tentar fazê-las sentir. Esse tipo de coisa vem dentro, vem da alma.
— É difícil! Nunca vou achar um cara assim, mas não vou desistir!
— Não podemos desistir! — a garota deu um pulo da cama e quase caiu, arrancando risadas da amiga. — Um dia aparece alguém, nem que este dia pareça distante!
— Tipo isso, se nós não acreditarmos, quem vai?
— É verdade. Quando nós menos esperamos, ele aparece, né? Não dá pra prever. — ela suspirou. — Muito bem, precisamos arranjar o que fazer.
— Definitivamente. Mais uma tarde brincando de Sócrates e eu corto os pulsos!
— Você daria uma boa filósofa, se quer saber.
— Não fode, tenho pavor de filosofia!
A morena riu e gritou algo como ‘
VAI SE FORMAR EM FILOSOFIA’, enquanto corria porta afora. Os gritos daquela guerra de almofadas foram ouvidos a quadras da casa das moças.
Sim, essa conversa aconteceu. Há uns 30 minutos, para ser exata. Eu tentei modificar o mínimo possível, então é capaz de o texto estar mal estruturado, com erros de gramática e ortografia, afinal, foi via MSN :~ Mimizinha, odeio filosofia, mas amo filosofar com você XD
Antes de ir, só tenho mais uma coisa a dizer.
FÉRIAS!
VACATIONS!
UHUL! *corre em círculos e cai de cara no chão*
xxx Piu